Para onde vai cada real da educação federal? Esta página cruza os dados oficiais do orçamento do MEC e organiza tudo em seis passos, do total aprovado até quanto custaria uma escola de qualidade.
O orçamento do MEC para 2026 é de
R$ 268,6 bilhões*
divididos em três frentes:
*Valor aprovado na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, com os ajustes feitos durante o ano
O plano plurianual (PPA) é a lei que diz o que o governo quer alcançar em 4 anos, de 2024 a 2027. Ele divide esse trabalho em programas, cada um com objetivos e metas. Três deles são da educação.
Da creche ao fim do ensino médio. As escolas são de estados e prefeituras; o MEC entra com ajuda em dinheiro e programas:
O funcionamento das universidades federais e o apoio aos estudantes:
Os salários dos professores e técnicos não entram aqui: ficam no programa de manutenção (0032), a parte 2.
O ensino técnico e tecnológico, principalmente na rede federal:
Os salários ficam no programa de manutenção (0032), a parte 2.
Previsto no PPA × orçamento de 2026
| 5111 · Básica | R$ 80,2 → 89,4 bi |
| 5113 · Superior | R$ 15,1 → 15,5 bi |
| 5112 · Profissional | R$ 4,1 → 5,2 bi |
| Total | R$ 99,4 → 110,1 bi |
Só dinheiro do orçamento. Fonte: Anexo III da Lei 14.802/2024.
O dinheiro vem de:
É o dinheiro que mantém a educação federal de pé: o salário de professores e técnicos, as aposentadorias e as contas do dia a dia de universidades, institutos e hospitais. Está no PPA, mas como programa de gestão, sem metas.
O dinheiro vem de:
São pagamentos que a lei obriga o MEC a fazer, como o repasse do salário-educação a estados e cidades, mais uma reserva para imprevistos. Por regra, não entram no PPA, mas são aprovados na mesma LOA.
O dinheiro vem de:
Por que janeiro é baixo? Em janeiro o MEC pagou R$ 28,2 bi, mas quase tudo eram contas do ano anterior, pagas como restos a pagar. Do orçamento de 2026 saíram só R$ 4,4 bi. Os salários de cada mês são pagos no começo do mês seguinte.
O que não for pago até dezembro não se perde: vira "restos a pagar" e é pago no ano seguinte.
Por que as barras somam R$ 195,2 bi, e não R$ 177,3 bi? As barras contam tudo o que os órgãos do MEC pagaram no mês, inclusive dinheiro de outros ministérios repassado a eles, como o da Saúde para os hospitais universitários. O total conta só o orçamento do MEC. Além disso, o Portal atualiza as duas bases em dias diferentes: o total vai até 30/10 e as barras, até 04/11.
Existe um cronograma oficial mês a mês? Só para uma parte. O decreto de programação (12.846/2026, atualizado pelo 13.130) fixa limites mensais apenas para os gastos livres. Salários, ajuda ao Fundeb e repasses obrigatórios seguem a folha e calendários próprios, sem previsto mensal publicado.
Em reais de hoje, os R$ 268,6 bi de 2026 são o maior orçamento do MEC desde 2000. Veja como ele chegou até aqui:
Aprovado, o dinheiro ainda precisa sair do papel. Este é o caminho de cada frente até a escola:
Mas de onde saem esses R$ 268,6 bi e as três frentes? De três leis, uma puxando a outra:
O PPA planeja 4 anos. Todo ano, a LDO dá as regras e a LOA traz o dinheiro do ano, dentro do plano.
Cada uma tem seu prazo, e cada uma tem uma versão valendo agora:
Valendo agora · PPA 2024–2027 · Lei 14.802/2024, enviada em agosto de 2023
É dele que vêm os 3 programas da frente 1.
3 programas do MEC, por ano
| PPA previa | LOA deu | |
| 2024 | R$ 87,1 bi | R$ 88,0 bi |
| 2025 | R$ 89,2 bi | R$ 100,1 bi |
| 2026 · hoje | R$ 99,4 bi | R$ 110,1 bi |
| 2027 | R$ 104,8 bi | — |
| Total | R$ 380,5 bi |
O PPA é o plano; a LOA de cada ano é o que foi aprovado de fato. O plano ainda conta R$ 88,8 bi que não passam pelo orçamento: impostos que o governo deixa de cobrar (como no ProUni) e empréstimos (como no FIES). Com eles, R$ 469,4 bi.
Programas do MEC, orçamento em 4 anos
| 5111 · Educação básica | R$ 305,1 bi |
| 5112 · Educação profissional | R$ 16,1 bi |
| 5113 · Educação superior | R$ 59,3 bi |
| Total | R$ 380,5 bi |
Valendo agora · LDO 2026, enviada em abril de 2025
Fixou a meta fiscal de 2026 e as regras para montar e gastar a LOA deste ano.
Valendo agora · LOA 2026, enviada em agosto de 2025
É a lei que aprovou R$ 267,2 bi para o MEC. Com os ajustes do ano, hoje são R$ 268,6 bi, o valor do começo desta página.
de R$ 6,53 tri autorizados para toda a União · 4,1%
projeto enviado ao Congresso em 31/08/2026 · PLN 24/2026
Parte desse orçamento, os R$ 70,0 bi da ajuda ao Fundeb, garante um valor mínimo por aluno em todo o país. A Constituição manda que esse mínimo tenha como referência o Custo Aluno-Qualidade (CAQ), o que uma escola precisa para funcionar bem. O governo ainda não fixou esse valor, mas pesquisadores já calcularam uma primeira versão, o CAQi:
Mínimo do Fundeb (2026): é o valor por aluno nos estados que recebem o mínimo do país, como Alagoas, Bahia e Ceará, onde a União completa o fundo até esse ponto. Portaria Interministerial MEC/MF nº 11, de 28/08/2026.
CAQi (2025): quanto custa ter professores com salário e formação adequados, turmas de tamanho certo, material e prédio em condições mínimas de qualidade. Não inclui a merenda. Calculado pelo simulador SimCAQ (UFPR e UFG) e publicado pela Fineduca, pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação e pelo Laboratório de Dados Educacionais em 06/06/2025.
Gasto médio (2025): cálculo do Todos Pela Educação (Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026) com dados de contas públicas do Tesouro Nacional (Siconfi/Finbra), em reais de dezembro de 2025.
A regra: Constituição, art. 211, § 7º (Emenda 108/2020), e novo PNE, Lei 15.388/2026, meta 19.b e estratégia 19.1.
Creche
Pré-escola
Fundamental, anos iniciais
Fundamental, anos finais
Ensino médio
Em todas as etapas, o mínimo do Fundeb fica abaixo do mínimo de qualidade. Na creche, o CAQi é quase o dobro do mínimo do Fundeb.
R$ 15,7 mil
foi o gasto médio por aluno da educação básica pública em 2025, somando todas as etapas e todas as despesas de educação, inclusive administração. O Fundeb é só uma parte desse dinheiro.
R$ 61,3 bi por ano
é quanto a União teria de pôr a mais para todas as redes chegarem ao CAQi, pela conta de quem o calcula (2025). A média é alta, mas esconde diferenças: pela mesma conta, 4.790 prefeituras e 4 estados ficam abaixo do CAQi.
Esses números vêm de fontes e anos diferentes: mostram a ordem de grandeza, não uma conta exata. O novo PNE (Lei 15.388/2026) manda definir o CAQ oficial e chegar a ele até o fim do plano, em 2036.